Em abril de 2026, o spread mais baixo em crédito habitação em Portugal está nos 0,65%, oferecido por bancos como o Bankinter e o ActivoBank — com condições de cross-selling. O spread médio praticado ronda os 1,0% a 1,3%, dependendo do perfil do cliente e das vendas cruzadas contratadas. Mas o número que vês na publicidade raramente é o que levas para casa.
Vamos ver banco a banco, sem rodeios.
O que é o spread (e porque não é tudo)
O spread é a margem de lucro que o banco cobra sobre a Euribor. Se a Euribor a 6 meses está a 2,5% e o teu spread é 1,0%, pagas 3,5% de juro ao ano.
Mas atenção: um spread de 0,65% pode sair-te mais caro do que um de 1,0% se o primeiro te obrigar a contratar seguros caríssimos com o banco. É a conta total que interessa, não o número bonito do spread.
Segundo dados do Banco de Portugal, a TAEG média dos novos créditos habitação em Portugal situou-se nos 4,2% no início de 2026 — acima da média da zona euro de 3,8% (BCE, Statistical Data Warehouse, janeiro 2026).
Comparação de spreads — Principais bancos (abril 2026)
Estes são os spreads mínimos anunciados, com cross-selling completo (domiciliação de ordenado, seguros vida e multirriscos, cartão de crédito). O spread real que consegues depende da negociação.
| Banco | Spread mínimo | Cross-selling exigido | Spread sem cross-selling |
|---|---|---|---|
| Bankinter | 0,65% | Ordenado + seguros + cartão | ~1,15% |
| ActivoBank | 0,70% | Ordenado + seguros | ~1,10% |
| Santander | 0,75% | Ordenado + seguros + PPR | ~1,30% |
| BPI | 0,85% | Ordenado + seguros | ~1,25% |
| Millennium BCP | 0,90% | Ordenado + seguros + cartão | ~1,35% |
| CGD | 0,95% | Ordenado + seguros | ~1,30% |
| Novo Banco | 0,85% | Ordenado + seguros + cartão | ~1,40% |
| Crédito Agrícola | 1,00% | Ordenado + seguros | ~1,35% |
Nota: Estes valores são indicativos e mudam frequentemente. Cada caso é avaliado individualmente pelo banco.
A armadilha do cross-selling
Um spread de 0,65% parece excelente. Mas vamos fazer contas.
Para um crédito de €200.000 a 30 anos, a diferença entre um spread de 0,65% e 1,0% é cerca de €35/mês na prestação. Parece significativo.
Agora, os seguros de vida e multirriscos do banco podem custar mais €50-80/mês do que os mesmos seguros contratados fora. Um estudo da DECO Proteste revelou que os seguros de vida associados ao crédito habitação vendidos pelos bancos são, em média, 40% mais caros do que alternativas externas (DECO Proteste, 2025).
Resultado: ganhas €35 no spread, perdes €50 nos seguros. O spread mais baixo acabou por ser a opção mais cara.
Como se calcula o teu spread
Os bancos olham para vários fatores:
Loan-to-Value (LTV): A percentagem do imóvel que estás a financiar. Abaixo de 60% de LTV, consegues spreads mais baixos. Acima de 80%, sobe. O Banco de Portugal recomenda um máximo de 90% para habitação própria permanente.
Taxa de esforço: Se a prestação fica abaixo de 30% do teu rendimento líquido, tens mais poder de negociação. Acima de 35%, o banco vê risco.
Estabilidade profissional: Contrato sem termo vale mais do que recibos verdes (mas há soluções — vê o nosso artigo sobre crédito habitação para recibos verdes).
Cross-selling: Cada produto que contratas com o banco reduz o spread. Domiciliação de ordenado costuma valer 0,1-0,2 pontos percentuais.
Taxa fixa, variável ou mista — o que compensa em 2026
Com a Euribor a 6 meses a rondar os 2,322% em abril de 2026 (desceu dos 3,9% de meados de 2024, segundo dados do Euribor-rates.eu), muitos portugueses questionam-se sobre o tipo de taxa.
Taxa variável: Spread + Euribor. Se a Euribor continuar a descer, a tua prestação baixa. Risco: se subir, pagas mais.
Taxa fixa: Ronda os 3,2% a 3,8% para 30 anos. Dá-te previsibilidade total, mas pagas um prémio por essa segurança. Para uma comparação detalhada dos dois regimes com números reais, vê o artigo sobre taxa fixa ou variável no crédito habitação.
Taxa mista: Fixa nos primeiros 3-5 anos, depois variável. Está a ganhar popularidade — cerca de 35% dos novos créditos em 2025 foram com taxa mista, segundo dados do Banco de Portugal (BdP, Relatório de Estabilidade Financeira, dezembro 2025).
A escolha depende do teu perfil. Se tens margem no orçamento para absorver subidas, a variável tende a sair mais barata ao longo de 30 anos. Se dormes mal com incerteza, a fixa traz paz de espírito.
5 estratégias para conseguir o melhor spread
1. Compara pelo menos 3-4 bancos
Parece óbvio, mas a maioria das pessoas vai ao “seu” banco e aceita o que lhe oferecem. Cada banco tem apetite diferente para crédito habitação em momentos diferentes. O banco que te rejeita hoje pode dar-te a melhor proposta amanhã.
2. Negoceia os seguros por fora
A lei portuguesa permite-te contratar seguros de vida e multirriscos fora do banco. Pedes ao banco o spread sem bonificação de seguros e depois comparas: o que poupas nos seguros compensa o spread ligeiramente mais alto?
Na maioria dos casos, a resposta é sim.
3. Aumenta a entrada
Se tens poupanças, aumentar a entrada de 10% para 20% pode baixar o spread em 0,1 a 0,3 pontos. Num crédito de €200.000, isso poupa milhares ao longo do contrato.
4. Melhora o teu perfil antes de pedir
Paga dívidas existentes (cartões de crédito, créditos pessoais). Cada dívida ativa conta contra a tua taxa de esforço. Limpa o mapa antes de bater à porta do banco.
5. Usa um intermediário de crédito
Um intermediário compara todos os bancos por ti. Conhece as margens reais de negociação de cada um. E negocia spreads que dificilmente conseguirias sozinho — porque traz volume de negócio ao banco.
O melhor? Não pagas nada. Zero. O banco é que paga a comissão ao intermediário por lhe trazer clientes.
Taxa fixa ou variável — simulação prática
Vamos simular um crédito de €180.000 a 30 anos, com Euribor 6M a 2,322%:
| Cenário | Taxa total | Prestação mensal | Total pago (30 anos) |
|---|---|---|---|
| Variável (spread 1,0%) | 3,322% | ~€791 | ~€284.760 |
| Fixa (3,5%) | 3,5% | ~€808 | ~€290.880 |
| Mista (2 anos fixa 3,0% + variável) | ~3,1% média | ~€769 | ~€276.840 |
Diferença entre a opção mais cara e mais barata: €10.000 ao longo de 30 anos. Não é desprezível.
Valores simulados para efeito ilustrativo. Usa o nosso simulador gratuito para calcular com os teus números reais.
Erros comuns ao comparar spreads
Comparar só o spread: Já falámos disto, mas vale reforçar. Compara a TAEG (Taxa Anual Efetiva Global), que inclui todos os custos.
Ignorar as comissões de abertura: Podem ir de €0 a €500+. Alguns bancos oferecem isenção total, outros cobram comissão de dossier, avaliação e formalização.
Esquecer a renegociação: Depois de 2-3 anos, podes (e deves) renegociar o spread. Ou transferir o crédito para outro banco. A lei facilita — o banco que recebe o crédito trata de quase tudo. Vê como funciona em detalhe no artigo sobre transferência de crédito habitação.
Não ler o contrato: Cláusulas sobre penalizações por amortização antecipada, condições de manutenção do spread bonificado — está tudo no contrato. Lê-o. Ou melhor: pede a alguém que perceba para o ler por ti.
Queres saber qual o spread real que consegues com o teu perfil? O ComparaCréditoHabitação encaminha o teu pedido para uma rede de intermediação de crédito registada no Banco de Portugal, que compara as propostas de vários bancos por ti. O serviço é 100% gratuito para ti (o banco paga a comissão). Simula aqui ou pede uma proposta personalizada.


