Transferir o crédito habitação para outro banco compensa sempre que a poupança mensal supera os custos da transferência. Na prática, basta que o novo spread seja 0,3 a 0,5 pontos percentuais mais baixo para recuperares o investimento em menos de dois anos.
Parece simples? É. Mas a maioria das pessoas nem sabe que pode fazer isto. Ou acha que dá muito trabalho. Vamos desmistificar.
Porque é que os bancos aceitam clientes de outros bancos?
Os bancos querem a tua hipoteca. Um crédito habitação é um contrato de 30 ou 40 anos — é o produto mais rentável que um banco te pode vender. Por isso, estão dispostos a oferecer condições melhores para te roubar à concorrência.
Segundo o Banco de Portugal, as transferências de crédito habitação representaram cerca de 12% das novas operações em 2025 — um aumento de 38% face a 2023 (Relatório de Estabilidade Financeira, BdP, dezembro 2025). A tendência é clara: os portugueses estão a acordar para esta possibilidade.
O INE indica que o valor médio em dívida nos créditos habitação em Portugal ronda os €85.000 (INE, Inquérito às Despesas das Famílias, 2024). Num montante destes, uma redução de 0,4 p.p. no spread traduz-se em mais de €30/mês de poupança. Em 20 anos, são mais de €7.000.
Quando é que compensa mesmo transferir?
Nem sempre vale a pena. Tens de fazer contas. Aqui ficam os cenários em que quase sempre compensa:
1. O teu spread está acima de 1,5%
Se contrataste o crédito antes de 2022, é provável que tenhas um spread entre 1,3% e 2,0%. Hoje, os bancos oferecem spreads a partir de 0,85% para transferências com bom perfil de risco. Para saberes quais os spreads mais baixos praticados em Portugal em 2026 e o que podes esperar de cada banco, há uma tabela comparativa atualizada.
A diferença? Num empréstimo de €150.000 a 30 anos, um spread de 1,8% vs 1,0% significa pagar menos €95/mês. São €1.140 por ano.
2. Faltam mais de 10 anos para acabar o empréstimo
Quanto mais tempo falta, mais poupas com um spread melhor. Se faltam só 5 anos, os custos de transferência podem não compensar. Acima de 10 anos, quase sempre vale a pena.
3. O valor em dívida é superior a €50.000
Os custos fixos de transferência (escritura, registos, avaliação) rondam os €800 a €1.500. Se deves pouco, estes custos pesam mais no cálculo.
4. O teu banco recusa negociar
Antes de transferir, tenta renegociar com o teu banco atual. Mostra-lhes a proposta da concorrência. Muitas vezes baixam o spread para te manter. Se não baixarem — muda.
Quais são os custos de transferir?
Aqui está o que vais pagar:
| Custo | Valor aproximado |
|---|---|
| Comissão de reembolso antecipado | 0% (isento para taxa variável desde 2023) ou até 0,5% do capital (taxa fixa) |
| Nova avaliação do imóvel | €250 – €350 |
| Escritura / documento particular | €300 – €700 |
| Registo na Conservatória | €200 – €300 |
| Imposto de Selo sobre nova hipoteca | Isento (transferências entre bancos) |
Boa notícia: Desde a lei de 2023 (Decreto-Lei n.º 74-A/2017, atualizado), a comissão de reembolso antecipado para créditos a taxa variável é zero. Se tens taxa variável, o maior custo desaparece.
Muitos bancos que querem captar o teu crédito também oferecem pagar parte ou todos os custos da transferência. Pergunta sempre.
Passo a passo: como transferir o crédito
Passo 1 — Pede a Ficha de Informação Normalizada (FINE)
Vai ao teu banco atual e pede a FINE. Este documento mostra todas as condições do teu crédito: spread, capital em dívida, prazo restante, seguros associados.
Passo 2 — Simula noutros bancos
Com a FINE na mão, simula em vários bancos — podes começar com o simulador de crédito habitação para teres uma base de comparação. Compara o spread, mas também:
- MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor) — é o custo real total do empréstimo
- Seguros obrigatórios — alguns bancos têm seguros caros que anulam a vantagem do spread
- Produtos de cross-selling — domiciliação de ordenado, cartões, PPR. Vê se te compensam ou se são obrigações chatas
Passo 3 — Apresenta a proposta ao teu banco
Antes de assinar com outro banco, dá a oportunidade ao teu banco de igualar ou melhorar. Tens todo o poder negocial neste momento.
Passo 4 — Aceita a melhor proposta
Se o novo banco ganhou, o processo é semelhante a um novo crédito: avaliação do imóvel, análise de risco, escritura. A diferença é que não precisas de dar entrada — o novo banco paga ao antigo.
O prazo médio de conclusão de uma transferência é de 30 a 60 dias, segundo dados do Banco de Portugal (Cadernos do Banco de Portugal, 2025).
Passo 5 — Nova escritura
Assinas a nova escritura (ou documento particular autenticado). Os registos são atualizados. A partir desse mês, pagas ao novo banco.
Erros comuns na transferência
Olhar só para o spread. O spread é importante, mas não é tudo. Um banco pode oferecer spread de 0,9% mas obrigar-te a um seguro de vida que custa €80/mês. Compara sempre o MTIC.
Esquecer os seguros. Na transferência, podes mudar de seguro. Às vezes, trocar o seguro de vida e multirriscos por uma seguradora externa poupa mais do que a redução de spread.
Não negociar com o banco atual. Mudar de banco dá trabalho. Se o teu banco igualar a oferta, poupas tempo e dinheiro nos custos de transferência. Recorda também que a evolução da Euribor em 2026 afeta a prestação final tanto no banco atual como no novo — a diferença de spread é o que tens de isolar no cálculo.
Transferir quando faltam poucos anos. Se faltam 3-4 anos, os custos fixos podem superar a poupança total. Faz as contas antes.
Transferência vs. renegociação: qual é melhor?
A renegociação é mais simples — falas com o teu banco, pedes melhores condições, e eles alteram o contrato existente. Não há custos de escritura nem avaliação.
Mas a renegociação depende da boa vontade do teu banco. E muitas vezes a redução de spread que oferecem é tímida — 0,1 ou 0,2 p.p. — porque sabem que tens preguiça de mudar.
A transferência dá mais trabalho, mas os resultados são melhores. Estás a pôr bancos a competir pelo teu dinheiro. É assim que se conseguem as melhores condições.
Um intermediário de crédito trata disto por ti
Vamos ser honestos: comparar bancos, pedir FINEs, analisar MTICs, negociar spreads — é chato. E a maioria das pessoas não tem tempo nem paciência.
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