A Euribor a 6 meses está nos 2,322% em abril de 2026, a 12 meses nos 2,565%. Quem tem crédito habitação com taxa variável paga hoje muito menos do que em 2023 (quando a Euribor passou os 4%). A questão para 2026: vai continuar a descer? Resumo curto: provavelmente sim, mas devagar.
O que é a Euribor (em termos práticos)
Sem complicar: a Euribor é a taxa a que os grandes bancos europeus emprestam dinheiro entre si. Quando o Banco Central Europeu (BCE) sobe a taxa de referência, a Euribor sobe. Quando o BCE desce, a Euribor desce.
Se tens crédito habitação com taxa variável, a tua prestação é calculada assim:
Prestação = f(Euribor + Spread)
O spread é fixo (definido no contrato). A Euribor é que muda. Logo, quando a Euribor desce, a tua prestação desce. E vice-versa.
Existem três prazos de Euribor mais comuns no crédito habitação:
- Euribor a 3 meses: 2,109% (abril 2026) — atualiza trimestralmente
- Euribor a 6 meses: 2,322% (abril 2026) — a mais usada em Portugal
- Euribor a 12 meses: 2,565% (abril 2026) — atualiza anualmente
A maioria dos contratos em Portugal usa a Euribor a 6 meses. Segundo o Banco de Portugal, 87% dos créditos habitação em vigor têm taxa variável ou mista indexada à Euribor (Relatório de Estabilidade Financeira, BdP, 2025).
O que aconteceu à Euribor nos últimos 3 anos
Vamos recapitular, porque o contexto interessa:
2022-2023: A subida agressiva O BCE subiu a taxa de referência 10 vezes consecutivas, de 0% para 4,5%. A Euribor a 6 meses disparou de valores negativos (-0,5% em janeiro 2022) para 4,1% em outubro 2023. Para quem tinha crédito com taxa variável, a prestação subiu entre 40% a 70%.
2024: O alívio começa O BCE iniciou o ciclo de descidas em junho de 2024. Até ao final do ano, a taxa de referência baixou para 3,0%. A Euribor a 6 meses terminou 2024 nos 2,8%.
2025-2026: Estabilização gradual O BCE continuou a reduzir taxas ao longo de 2025, com a taxa de depósito a chegar aos 2,00% em junho de 2025. Esse nível tem sido mantido desde então. Em abril de 2026, a Euribor a 6 meses está nos 2,322% — um nível que já permite respirar.
Quem tinha uma prestação de €800 no pico de 2023, hoje paga cerca de €650 a €680 (para o mesmo empréstimo). Uma diferença real no orçamento mensal.
Quanto poupas com a Euribor atual vs. 2023
Vamos a números concretos. Para um empréstimo de €150.000 a 30 anos, com spread de 1,0%:
| Cenário | Euribor 6M | Taxa Total | Prestação Mensal |
|---|---|---|---|
| Pico (out 2023) | 4,10% | 5,10% | €816 |
| Final 2024 | 2,80% | 3,80% | €699 |
| Abril 2026 | 2,322% | 3,322% | €659 |
| Se Euribor = 1,75% | 1,75% | 2,75% | €612 |
De outubro de 2023 para abril de 2026, a prestação desceu €157 por mês. São €1.884 por ano de poupança. Para um empréstimo de €200.000, a diferença seria de €209/mês — €2.508/ano.
Estes valores não são teóricos. São o impacto real que centenas de milhares de famílias portuguesas já sentiram.
Previsões da Euribor para o resto de 2026
Ninguém tem uma bola de cristal, mas os mercados de futuros e os analistas dão pistas:
O Banco Central Europeu, na reunião de março de 2026, manteve a taxa de depósito nos 2,00% — nível inalterado desde junho de 2025. Os mercados de futuros apontam para a Euribor a 6 meses estável na casa dos 2,0% a 2,5% até ao final do ano, refletindo o consenso de que o BCE manterá a taxa atual salvo nova subida da inflação.
No entanto, há fatores que podem travar esta descida:
- Inflação persistente: Se a inflação na zona euro voltar a subir acima de 2,5%, o BCE pode pausar as descidas.
- Tensões geopolíticas: Conflitos e instabilidade podem afetar cadeias de abastecimento e pressionar preços.
- Crescimento económico: Se a economia europeia recuperar mais forte que o esperado, o BCE pode manter taxas mais altas.
O cenário base? A Euribor a 6 meses deve ficar entre 2,0% e 2,5% ao longo de 2026. Não vamos voltar aos 0% de 2021, mas também não vamos regressar aos 4% de 2023.
O que fazer se tens taxa variável
Se o teu crédito habitação está indexado à Euribor, tens três opções:
1. Não fazer nada (e aproveitar a descida)
Se a tua taxa de esforço está confortável e consegues lidar com uma eventual subida futura, podes simplesmente deixar estar. A Euribor está num nível razoável. Historicamente, a média a longo prazo situa-se nos 1,5% a 2,5%.
2. Mudar para taxa fixa ou mista
Se valorizas previsibilidade acima de tudo, podes pedir ao banco para alterar o regime da tua taxa. Desde 2023, a lei permite a renegociação sem custos em determinadas condições. As taxas fixas atuais rondam os 3,2% a 3,5% — mais altas que a variável atual, mas sem surpresas.
Atenção: mudar para fixa agora significa “congelar” a tua taxa nos valores de 2026. Se a Euribor continuar a descer, pagas mais do que terias pago com variável. É uma decisão de gestão de risco, não de poupança imediata.
3. Transferir o crédito para outro banco
A transferência de crédito habitação é gratuita (sem comissões de reembolso antecipado desde 2023 para taxa variável). Se outro banco te oferece um spread mais baixo, podes mudar. Isto sim pode poupar dinheiro — e não depende de previsões sobre a Euribor. O guia sobre transferência de crédito habitação explica quando compensa e como funciona o processo.
Segundo dados da DECO Proteste (2025), quem transferiu crédito habitação poupou em média €1.200 por ano — sobretudo por redução do spread e renegociação de seguros.
Taxa fixa vs. variável em 2026: qual escolher?
Para novos créditos, a pergunta de um milhão de euros.
Para esta decisão, vale a pena ler a comparação detalhada entre taxa fixa ou variável com números reais para diferentes cenários.
A taxa variável faz sentido se:
- Tens margem financeira para absorver subidas
- Acreditas que a Euribor vai manter-se ou descer
- O prazo do crédito é curto (10-15 anos)
- Queres pagar menos agora
A taxa fixa faz sentido se:
- O teu orçamento é apertado e não toleras surpresas
- Compras a primeira casa e precisas de previsibilidade
- O prazo é longo (25-40 anos) e queres paz de espírito
- A diferença entre fixa e variável é pequena (menos de 1 ponto percentual)
A taxa mista é o meio-termo: Fixa nos primeiros 3 a 10 anos, depois variável. Em 2026, uma mista com 5 anos de período fixo pode ter uma taxa de 2,8% a 3,0% — competitiva face à variável atual e com proteção no curto prazo.
Os seguros associados: o custo escondido
Quando olhas só para a Euribor e o spread, esqueces uma fatia importante da prestação total: os seguros.
O seguro de vida associado ao crédito habitação custa, em média, €30 a €80/mês para um casal de 35 anos com crédito de €150.000 (dados DECO, 2025). Com a idade, sobe. E o banco que te fez o crédito raramente oferece o seguro mais barato.
A lei permite que contrates seguros fora do banco. Se o fizeres, o spread pode subir 0,1% a 0,2% — mas a poupança no seguro quase sempre compensa. Faz as contas ao custo total mensal (prestação + seguros), não só à prestação.
Amortização antecipada: vale a pena?
Com a Euribor nos 2,3%, a tua taxa total ronda os 3,1% a 3,3%. Se tens poupanças paradas a render menos do que isso (a maioria das contas poupança paga menos de 2% em 2026), amortizar o crédito pode ser boa ideia.
Desde 2023, a comissão de reembolso antecipado para créditos com taxa variável é zero. Para taxa fixa, é no máximo 0,5% do capital amortizado.
Exemplo: se amortizas €10.000 num crédito com taxa total de 3,2%, poupas cerca de €320/ano em juros — mais a redução da prestação mensal. Em 20 anos, essa amortização poupa-te mais de €5.000.
Mas não uses todas as poupanças. Mantém sempre um fundo de emergência de 3 a 6 meses de despesas.
Como um intermediário te ajuda a navegar isto
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