Se a Euribor está baixa e com tendência de descida, a taxa variável dá-te prestações mais baratas agora. Se queres dormir descansado sem surpresas, a taxa fixa garante-te a mesma prestação durante todo o contrato. Não há resposta universal — depende do teu perfil, do teu orçamento e do momento económico.
Vamos ver os números para que decidas com dados, não com palpites.
Como funciona cada tipo de taxa
Taxa variável (Euribor + spread)
A tua prestação é composta por dois pedaços: a Euribor (que muda a cada 3, 6 ou 12 meses) e o spread (que fica fixo durante todo o contrato).
Se a Euribor sobe, a tua prestação sobe. Se desce, pagas menos.
Em abril de 2026, a Euribor a 6 meses está nos 2,322%, depois de ter atingido um pico de 4,1% em outubro de 2023 (Euribor-rates.eu). A descida foi significativa — quem tem taxa variável já sentiu alívio na carteira. Para um acompanhamento detalhado da evolução e das previsões para o resto do ano, vê a análise sobre o impacto da Euribor 2026 na prestação.
Taxa fixa
A taxa é definida no momento do contrato e não muda. Se contratares a 2,8% fixo, pagas 2,8% durante 30 anos — não interessa o que a Euribor faça.
A segurança tem um preço: a taxa fixa é quase sempre mais alta do que a variável no momento da contratação. Estás a pagar um “seguro” contra subidas.
Taxa mista
Começa fixa durante um período (normalmente 2, 5 ou 10 anos) e depois passa a variável. É o compromisso entre as duas. Cada vez mais popular em Portugal.
Os números em 2026: comparação real
Vamos usar um exemplo concreto. Crédito de €200.000, prazo de 30 anos, spread de 1,0%.
| Cenário | Taxa total | Prestação mensal | Total de juros (30 anos) |
|---|---|---|---|
| Variável (Euribor 6M a 2,322% + spread 1,0%) | 3,322% | €878 | €116.080 |
| Fixa a 3,0% | 3,0% | €843 | €103.555 |
| Fixa a 3,5% | 3,5% | €898 | €123.120 |
| Mista (fixa 2,8% por 5 anos, depois variável) | 2,8% → variável | €822 (primeiros 5 anos) | Depende da Euribor futura |
Nota: neste momento, com a Euribor a descer, a taxa variável e a fixa estão próximas. Isto nem sempre acontece. Em 2023, a variável chegou a 5,1% enquanto a fixa rondava os 3,5-4,0%.
Quando a taxa variável é melhor
Quando a Euribor está alta e a descer. É o cenário de 2025-2026. O BCE cortou taxas várias vezes desde junho de 2024, e as previsões do mercado apontam para uma Euribor a 6 meses perto de 2,0% no final de 2026 (Bloomberg Economics, janeiro 2026).
Se contratares variável agora, beneficias das descidas que ainda estão por vir.
Quando tens margem no orçamento. A variável pode subir. Se a tua prestação atual é €800 e o teu limite confortável é €1.200, tens almofada para absorver subidas. Se estás no limite, uma subida de 2 pontos na Euribor manda-te para aperto.
Quando o prazo é curto. Em empréstimos de 10-15 anos, a exposição ao risco de subidas é menor. Historicamente, a taxa variável é mais barata a longo prazo — mas os ciclos de subida podem ser dolorosos.
Quando a taxa fixa é melhor
Quando a Euribor está baixa e com tendência de subida. Fixas o custo no ponto mais baixo do ciclo. Era a jogada perfeita em 2021 (Euribor negativa), mas poucos fizeram — a maioria achava que as taxas negativas eram o “novo normal”.
Quando estás no limite do orçamento. Se uma subida de €200 na prestação te cria problemas, a fixa é a escolha certa. A previsibilidade vale mais do que a poupança teórica.
Quando dormir descansado vale dinheiro. Não subestimes o valor psicológico de saberes exatamente quanto vais pagar nos próximos 30 anos. Há quem pague mais por isso — e está tudo bem.
A história diz-nos alguma coisa?
Sim. Nos últimos 20 anos, quem escolheu taxa variável pagou menos no total — na maioria dos períodos. A Euribor a 6 meses esteve abaixo de 1% durante quase uma década (2014-2022).
Mas a história também nos diz que as subidas são rápidas e doem. A Euribor passou de -0,5% para 4,1% em apenas 18 meses (2022-2023). Quem tinha crédito de €200.000 viu a prestação saltar de €650 para mais de €1.100.
Segundo o Banco de Portugal, em 2025, 65% dos novos créditos habitação foram contratados com taxa variável ou mista, contra 35% com taxa fixa (Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho, BdP, 2025). A preferência dos portugueses continua a pender para a variável, mas a fixa ganhou terreno desde 2023. Para saber como o spread se combina com a taxa e quais os bancos com as melhores condições neste momento, vê a comparação dos spreads mais baixos em Portugal em 2026.
Taxa mista: o melhor dos dois mundos?
A taxa mista está a ganhar muitos adeptos. E faz sentido: dá-te previsibilidade nos primeiros anos (quando o orçamento costuma estar mais apertado) e depois beneficias da variável.
As opções mais comuns:
- Mista 2 anos: fixa por 2 anos, depois variável. Pouca proteção, mas custo inicial baixo.
- Mista 5 anos: o sweet spot para muita gente. Proteção suficiente para estabilizar, depois variável.
- Mista 10 anos: quase como fixa. Boa opção se achas que a Euribor vai subir a médio prazo.
Atenção: quando o período fixo acaba, passas para Euribor + spread. Se nessa altura a Euribor estiver alta, a tua prestação salta. Não é surpresa — mas tens de estar preparado.
Como a Euribor afeta a tua decisão
A Euribor é definida pelo mercado interbancário europeu e reflete as expectativas de taxa de juro do BCE. Ninguém sabe para onde vai. Mas podemos olhar para o que o mercado espera.
Em março de 2026, os futuros de Euribor apontam para:
- Final de 2026: ~2,0%
- Final de 2027: ~1,8-2,0%
- Longo prazo (5+ anos): ~2,0-2,5%
Se estas previsões se confirmarem, a taxa variável continua competitiva. Mas são previsões — em 2021, ninguém previa a Euribor a 4%.
Perguntas que deves fazer-te antes de decidir
- Qual é a minha prestação máxima confortável? Se a variável subir 2 p.p., ainda consigo pagar?
- Quanto tempo falta para pagar? Mais de 20 anos? A variável tem mais risco mas historicamente é mais barata.
- Qual é a diferença entre a fixa e a variável neste momento? Se for menos de 0,5 p.p., a fixa pode valer a pena pela segurança.
- Tenho fundo de emergência? Se tens 6 meses de despesas guardados, aguentas uma subida temporária na variável.
- Qual é o meu perfil? Sou de perder sono com oscilações ou aceito o risco por uma potencial poupança?
Posso mudar de taxa depois?
Sim. Podes renegociar com o teu banco ou transferir o crédito para outro banco com condições diferentes. Não estás preso para sempre.
Se contrataste taxa variável e a Euribor disparar, podes pedir para passar a fixa. Se tens fixa e a Euribor baixar, podes transferir para variável noutro banco. Há custos envolvidos (comissão de reembolso antecipado na fixa), mas é possível.
Um intermediário de crédito ajuda-te a escolher
O ComparaCréditoHabitação encaminha o teu pedido para uma rede de intermediação de crédito registada no Banco de Portugal. Os gestores dessa rede comparam propostas de vários bancos — taxa fixa, variável e mista — e mostram-te os números reais para o teu caso específico.
Não tens de adivinhar qual é a melhor opção. O gestor simula os cenários, negoceia o spread e trata de tudo. Sem custos para ti — o banco que ficar com o crédito é que paga a comissão.
Antes de simular, podes usar o artigo sobre o simulador de crédito habitação 2026 para perceber como interpretar os resultados e que variáveis importam mais.
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